maio 28, 2012
The same pain. (2)
E o que eles chamam de "olhos" é fundido, é afundado, transbordado, carregado, encharcado, levado, surrado em seu próprio mar. Mar de ressaca, mar violento que não para, e nas noites de temperatura mais baixas é arremessado em plenas ondas contra as paredes, carregando aquelas coisas ruins para longe mas que, como todo bom mar, tudo o que é levado, é trago de volta. Tragado. E voltam, e sujam, machucam. Malditos olhos encharcados. Malditas dores que não passam e só chegam. Adeus. Eu disse Adeus centenas de vezes para essas coisas mas elas voltam, sempre voltam e talvez eu queira isso. Jogo no mar para que, propositalmente, elas voltem, voltem a me atingir, molhar novamente todo meu corpo quente e, enfim, eu voltar a me afogar. E eu sei. E eu quero.
The same pain.
Adoro ver que, a cada dia que passa, vou vendo o que o mundo E o que chamamos de um "Deus" nos reserva. Se é que nos reserva mesmo, porque para mim não tem nada reservado a não ser as consequências de seus próprios passos. Dos meus próprios erros. De vossos erros. Erros simples e bobos que viram tornados e uma extensa dor de cabeça. Para mim, meu destino é chamado de uma das palavras mais belas: Dor. Eu gosto e já me acostumei, os efeitos colaterais são os básicos de uma dor. Dói. Normal. Vem e vai e volta e trás e vai pra voltar sem nunca ir. Nunca ir, nunca só ir, nunca despedidas desse adjetivo tão belo. Como se fosse tatuado em meu peito, escrito com meu sangue e preenchido em minha alma. Assim, simples em meu viver, em meus dias e vida, até que tudo vá. Se eternize fora daqui, fora da existência de meu ser. Morta.
maio 09, 2012
Quando penso que estou forte, fraco eu estou.
Sou o inverno e a tempestade. Sou o frio, o asfalto, sou o cancêr em suas veias. Sou as lágrimas e os espinhos de sua rosa favorita. Sou a parte (inteira) do seu corpo que você mais odeia. Seu seu número do azar, sou sua infidelidade e sua tristeza. Sou a dor reconhecida. Sou todo o mau em mim mesma. Sou a guerra, sou as armas e os tiros que te atingem. Sou todo esse mau... Em mim mesma. Sou meu frio, sou meu inverno e a a chuva que me atinge no dia mais frios do ano. Sou os buracos que tropeço mesmo desviando. Sou a doença em minha alma e o sangue contagioso
. Sou as lágrimas ácidas que perfuram e rasgam minha pele e os espinhos que em minha pele vive. Sou o defeito de meu corpo visível. Sou meu azar infiel e a tristeza. Sou a derrota. Sou a dor e sofrimento sem fim. Sou eu viva reconhecendo a dor que não acaba. Sou eu, Dor sem fim.
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