Fica estranho você querer se expressar, esforçar para tentar dizer, mesmo à si mesmo, o porquê daquele aperto no peito, aquela vontade de chorar. Tem vários motivos, mas um lhe incomoda, e o pior não é saber o motivo, o pior é você querer se acalmar, colocar isso para fora e... E não conseguir. Vem sensações estranhas, vontade de gritar, apertar o travesseiro para agonia se amenizar, mas ainda assim é complicado. As palavras não são achadas para isso, um ombro não pode muito te ajudar parar. Uma saída, pelo menos para mim, é a música. Busco tudo aquilo nas músicas mais baixas em humor, possível. Me deprimo o máximo que consigo, e aproveito aquele sabor azedo, agoniante, doloroso. Gosto.
Quando vai passar? Quem sabe quando eu pegar no sono.
Eu venho e vou como se não tivesse explicações a serem dadas, como se não fosse doer, caso você fosse embora. Eu venho e vou como se fosse a única coisa a ser feita, como se eu não fosse sentir falta da sua presença. Então eu venho e vou... Eu venho e vou como essas ondas que apagaram o nosso verão. Das nossas mentes, fotos, bolsos, diários vazios. Eu venho e vou como se fosse essa a única opção, mas eu sempre me pergunto por que é que você não vem e vai comigo? Venha comigo. É realmente isso que você quer? Venha comigo, é isso que você vem tentando fazer durante todo esse tempo? Venha comigo, eu vou te esperar logo ali, na esquina. Venha comigo até que fiquemos exaustos... Ou me deixe em paz. Não me deixe sozinho.
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