agosto 05, 2011

Estava difícil. Não. Foi difícil. Havia uma confusão naquela cabeça. Havia uma percentagem de vantagens para aquilo acontecer e não acontecer. Ela sabia disso, como ela também sabia que poderia controlar. Pensava ela, pelo menos. Era corpo a corpo, carne, sangue correndo, toque, olhares, tudo frente à frente, e ela foi, se entregou alí mesmo. Não ligou pros cortes que ele te causaria mais tarde, cortes profundos que ninguém via, mas ela sentia, sentia aquele dor insuportável, irritante, esperava estar sozinha para chorar ou gritar. Machucava tanto. Pra que isso? Ele gostava disso, de vê-la o amando, de vê-la lá, fazendo coisas dais quais o agradavam. Foda-se, pensava ela.

Droga, é difícil, entende? Droga. Sabe quando tudo fica escuro e o que te resta é audição? Você não vê nada, só escuta, tenta correr no escuro procurando a voz mas, mas está longe. Longe. Tenta, tenta, mas chega, se aquele som que pode vir até você não vem, porque você tem que ir lá? Então você senta e fica lá feito um Castiçal disso tudo, um "Creep". Dorme com outros vozes, sussurros. Coisas que te fazem gritar. E você grita. Grita bem alto. E só é sufocada porque sabe que ele está lá, mas e ele te percebeu lá? Não. Ele não quer, então quando ele resolver querer te ouvir, ele vai te ouvir e ir em direção de sua voz, sussurros e gritos também. Quem sabe quando houver um caminho fácil que te leve até lá, uma luz, de repente. DROGA. Nunca dá pra entender ou concluir essas coisas. Imagino cortes, imagino dores, desejo dores, desejo sofrimento alheio, desejo que sofra, não consigo ter dó. Foram sofrimentos, dores, lágrimas. Acabou. Fiquei surda e me acostumei sem aquela voz, aqueles sons, os gritos, o toque. Então querem te colocar nesse lugar de novo, te cegaram. Não. Droga, não quero. Ela não quer. Você pretende, mas não vai dar certo.

Esses tempos eu vi o sol. Vi a lua... Gosto dessas coisas. Domingo eu saí, vi a grama e tomei um sol tão calmo nela. Estava um pouco úmido porque havia garoado na noite anterior, mas estava bom, confortável. Passaram algumas horas e havia secado. Era seu aniversário. Pensei sem saudade e ainda sorri, lembrei das coisas e momentos, sejam eles bons e ruins... Eu sorri. Algo como se fosse seu primeiro beijo que foi estranho, sem graça, mas quando está com seus amigos no colegial se lembra e sorri. Quando se é criança assim, tendem a demorar um pouco pra passar essas coisas. Acho que aos vinte anos já não se tornam tão devagar. Você está aprendizado, sabe das coisas, então deixa as coisas passarem mais rápidas. Se acostumam saber que aquilo foi ontem e não pode voltar para mudar para fazer diferente ou melhorar as coisas. Ou tenta mudar no futuro enquanto estiver com o passado nas mãos, ou você segue em frente conformada. Me acostumei sem.

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